O
cômodo está escuro. Através da janela, nota-se que a noite cai. O céu, que,
outrora mostrara o vasto poder do grande astro de nosso sistema, agora, rende-se
à escuridão. Talvez a lua não venha amenizá-la. Há nuvens espessas lá no alto. Os
olhos, aos poucos, vão se acostumando à penumbra. Não há a necessidade de
contrariar aquele estado, não há razão para ter medo do escuro quando tudo o
que se tem é uma garrafa de vinho e uma cabeça cheia de pensamentos embaralhados.
A solução para eles não será encontrada sob a penumbra, decerto, mas também não
será encontrada sob a iluminação artificial. Talvez pela necessidade de escondê-los, de não encará-los. As sombras amenizam os reflexos de tais pensamentos.